Tempo de Recordar – nº 1

Por Sebastião Deister

OS PRIMÓRDIOS DA NOSSA TERRA

Para entendermos melhor a História que fez vir à luz os municípios hoje engastados no vale do rio Paraíba do Sul, torna-se necessário estudarmos, a priori, a abertura dos caminhos que desbravaram as margens daquele rio e venceram os rígidos flancos da Serra do Tinguá. Com efeito, em face das demoradas e perigosas viagens efetuadas pelo antigo Caminho de São Paulo, o Vice-Rei de Portugal determinou que uma nova estrada fosse implantada pelo Sul da então Província do Rio de Janeiro, no intuito de conectar Minas Gerais ao Rio de Janeiro, com isso abreviando-se a jornada de 95 para apenas 25 dias e evitando-se, como ganho adicional, o trecho marítimo entre Parati e a baía da Guanabara, tão propício à intensa e audaciosa pirataria nos finais do século XVII.

 

O CAMINHO NOVO DE MINAS

A primeira via de acesso construída em nossa região foi batizada como Caminho Novo de Minas, aberto sob as ordens do bandeirante Garcia Rodrigues Paes, filho de Fernão, o Caçador de Esmeraldas. Entre 1700 e 1702, Garcia logrou implantar sua estrada entre a nascente “Vila da Parahyba” – por ele mesmo fundada em 1683 – e o Porto do Pilar (atual Duque de Caxias), deixando pelas montanhas alguns logradouros pioneiros como Monte Serrat, Cavaru, Sardoal, Matosinhos e Sertão do Calixto, entre dezenas de outras localidades e fazendas, cujo intercâmbio mercantil pressagiou uma rede de ocupação demográfica que, rapidamente, colonizou todo o território adstrito às vertentes da Serra do Tinguá. Posteriormente, no interregno 1702-1704, o destemido bandeirante enfim concluiu seu monumental trabalho de desbravamento, estabelecendo de vez o tão desejado contato viário entre a Paraíba do Sul e as terras de Vila Rica (Ouro Preto).

 

PRIMEIRAS PROPRIEDADES NA PARAÍBA

Na verdade, desde 1676 já se conheciam algumas sesmarias concedidas no chamado “Sertão da Parahyba”, mas somente após o advento do Caminho Novo um grande fluxo de conquistas territoriais se verificou às margens de tal via de penetração, destacando-se as fazendas da Várzea e de Paraibuna (também fundadas por Garcia), do Capitão Marcos da Costa Fonseca Castelo Branco (em 1712), da Manga Larga (em 1715), do Governo (em 1716), de Sebolas (em 1723), da Freguesia do Alferes Tavares (em 1739) e do Sacco Velho (em 1772), em meio a centenas de outras admiráveis e produtivas herdades.

 

Tais sesmarias, subdividindo-se em freguesias, arraiais, povoados e vilas, originaram numerosos sítios pelas serranias do Tinguá, dentre os quais pinçaremos, no momento, a magnífica Fazenda Pau Grande (de 1709). A princípio sob a administração da família do Sargento-Mór Martim Corrêa de Sá (Conde de Asseca), a propriedade foi repassada, em 1743, para Antônio da Costa Araújo e para os irmãos Francisco e Manoel Gomes Ribeiro de Avelar, daí a origem do topônimo atual 2º Distrito do Município de Paty do Alferes.

 

Por seu turno, a Sesmaria do Capitão Marcos da Costa possibilitou o conhecimento mais profundo das áreas hoje englobadas pelo logradouro de Vera Cruz, no qual implantar-se-ia, em 1770, a pioneira Fazenda de Nossa Senhora da Piedade, enquanto a Manga Larga propiciava a chegada de colonos à futura área de Paty.

 

Mais para Oeste, a Sesmaria do Sacco Velho, gerida pela família de Manoel de Azevedo Matos e Antônia da Ribeira (do Pilar) Werneck (os mesmos da Piedade de Vera Cruz), deitaria raízes pelas serras da Viúva e do Couto, em cujo topo nasceria, cerca de um século depois, um humilde povoado chamado Barreiros, semente da atual cidade de Miguel Pereira.

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