Tempo de Recordar – nº 10

Por Sebastião Deister

O DESENGANO

Do povoado de Desengano (hoje Distrito de Juparanã, pertencente ao Município de Valença), os desbravadores da região vassourense saltaram para a margem direita do Paraíba, até atingir o chamado Rio das Mortes nas proximidades da semi-desativada estação ferroviária de Barão de Vassouras. A travessia,  a princípio, era feita em canoas toscas, mas depois de 1821 tornou-se confortável e segura com  a bela e elegante ponte construída às custas de Custódio Ferreira Leite, o Barão de Ayruóca, que tanto benefícios carreou para Vassouras.

Mais tarde, a ponte veio a servir de base para a colocação dos trilhos da Estrada de Ferro D. Pedro II. A propósito, aquela notável obra foi inaugurada pelo próprio Imperador em 17 de dezembro de 1865, à frente de uma grande comitiva de nobres e políticos.

 CAXIAS E A FAZENDA SANTA MÔNICA

O modesto Desengano foi ainda o refúgio e a última morada de uma das mais respeitáveis figuras da História do Brasil. De fato, ali passou seus dias finais  Luís Alves de Lima e Silva, o Duque de Caxias, hospedado na Fazenda Santa Mônica, então propriedade de seu genro Francisco Nicolau Carneiro Nogueira da Costa Gama, o Barão de Santa Mônica, casado que era com D. Luiza Loreto Viana de Lima e Silva, por sinal sua prima.

Idoso e já bastante doente, o Duque de Caxias encontrou em Santa Mônica a paz que só uma serena e aconchegante fazenda do interior poderia lhe proporcionar. Cercado pelos familiares e pelo carinho de vários de seus seguidores, o nobre brasileiro ali morreu exatamente às 20 horas e 30 minutos do dia 7 de maio de 1880. No dia seguinte, seu corpo chegava ao Rio, onde uma multidão o aguardava para o sepultamento no cemitério São Francisco de Paula.

O BARÃO DE JUPARANÃ

O logradouro do Desengano teve seu nome mudado para Juparanã em homenagem ao Barão do mesmo título – Manuel Jacinto Carneiro Nogueira da Costa Gama – que fora proprietário do lindíssimo casarão denominado Monte Scylene após recebê-lo como presente do seu irmão, o Barão de Santa Mônica.

É importante ressaltar que Manuel Jacinto Carneiro Nogueira da Costa Gama foi titulado Barão de Juparanã com Grandeza em 21 de maio de 1874. Nascido no Rio de Janeiro em 1830, faleceu em Valença em 1876, tendo sido um rico fazendeiro nesta última cidade. Ocupou ainda os cargos de Deputado Provincial pelo Rio de Janeiro em 1858 e de Presidente da Câmara Municipal da mesma Valença entre 1869 e 1872, desempenhando também no mesmo município a importante função de Comandante Superior da Guarda Nacional por um bom par de anos.

Como curiosidade, podemos lembrar que o Barão de Juparanã ofertou o casarão Monte Scylene ao Duque de Caxias em 1876, o qual, por sua vez, o repassou como presente ao casal Conde d’Eu/Princesa Isabel que, num gesto magnânimo, o transformou na sede da Associação da Infância Desamparada, um asilo local para crianças órfãs, cujas atividades encerraram-se após o advento da República em 1889. Já em 1923, o Ministério da Justiça colocou-o sob a administração do Patronato dos Menores, e hoje o casarão, situado bem à entrada de Juparanã, abriga um centro especializado no tratamento de dependentes químicos.

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