Tempo de Recordar – nº 19

Por Sebastião Deister

O MIGUEL PEREIRA ATLÉTICO CLUBE

O Miguel Pereira Atlético Clube, entidade sócio-desportiva tão conhecida e apreciada pelo povo miguelense, foi fundado em 26 de abril de 1930 na sala de visitas da casa de Manoel Bernardes Sobrinho, o famoso “Seu Manduca da Estiva”.

Na realidade, o clube foi criado por uma questão de capricho de Manduca e tão somente para fazer frente ao Estiva FC (origem do atual Estrela FC), já que Manduca e seus companheiros – em especial Calmério Rodrigues Ferreira, o “Juju” – não aceitaram a imposição do nome da senhorita Conceição Setúbal Ritter para o posto de madrinha do Estiva.

Como naquela nostálgica época tal cargo social assumia ares de enorme importância na vila, sua disputa anual era sempre muito acirrada, quando os homens de maior prestígio  e influência econômica do lugar tratavam de apontar suas candidatas à diretoria da agremiação.

Assim, em 1930 Manduca pretendia ver sua filha Maria Ramos Bernardes ocupando aquele elevado posto na nossa ainda pequena cidade, mas os diretores do Estiva (entre os quais alguns desafetos de Manduca e Juju, como Geraldino Caetano da Fraga, Nagib Ahouage, Bonifácio de Macedo Portela, Aurélio Barile e o Dr. Oscar Setúbal Ritter, irmão da pretendente) mantiveram sua posição, razão pela qual a dissidência mostrou-se inevitável.

Claro está que o primeiro presidente do MPAC foi Manduca, coadjuvado em sua diretoria pelo senhores João Alberto Masô, Felipe Carvalho, Alzino Ferreira Tintas, Calmério Rodrigues Ferreira, Antônio Ferreira Real, Daniel Bernardes Filho, Francisco Vilet Peralta e Dalvet Rodrigues Ferreira.

O campo do novo clube foi inaugurado no dia 13 de junho de 1930 (Dia de Santo Antônio) em terras cedidas por Juju, nas quais hoje se localiza o Colégio Estadual Dr. Antônio Fernandes. Seu time de futebol logo se mostrou poderoso e temido, tornando-se célebres seus embates contra o Estiva FC e contra o Portela AC.

Em 1954, entretanto, o Departamento de Engenharia do Estado do Rio de Janeiro solicitou ao MPAC a concordância para que a área do campo fosse a ele vendida, uma vez que ali o Governo pretendia erguer um colégio estadual. Uma vez que Juju mostrava vivo interesse no negócio – por ser ele o proprietário do terreno e pelo fato de a oferta ser tentadora – nada restou ao clube senão oficializar sua venda em 26 de setembro de 1954, fato que, a propósito, causou enorme tristeza em Miguel Pereira.

De qualquer forma, o clube continuou existindo legalmente (somente seu futebol fora desativado), visto que à rua General Ferreira do Amaral já funcionava sua sede social. Porém, por iniciativa do senhor José Tertuliano Gomes – então seu presidente – o MPAC deslanchou uma grande campanha na cidade no sentido de se adquirir uma ampla área para que nela se levantasse uma nova sede, cuja pedra fundamental foi lançada no ano de 1964. Foi a partir daí que nasceram na cidade as belas dependências do clube, hoje um patrimônio de incalculável valor de todo o povo de Miguel Pereira. 

Uma resposta para “Tempo de Recordar – nº 19

  1. Eni Angelina dos Santos

    Ja morei em Miguel Pereira por 10 anos.E uma cidade pequena mas muito boa de se viver.

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