Tempo de Recordar – nº 21

Por Sebastião Desiter

O ESTIVA FUTEBOL CLUBE

Se o Portela AC detém a primazia da introdução do futebol em nossa Serra, o Estiva FC (atual Estrela) guarda a doce lembrança de ter sido o primeiro clube de futebol a ser criado em Miguel Pereira, justamente na época em que a Vila perdia a designação de Estiva para ser batizada com o seu nome atual.

Fundado no dia 4 de setembro de 1928, graças à união de uma humilde  parcela da população da Vila, na qual mesclavam-se comerciantes,  ferroviários  e criadores de gado, o clube – então sem sede, sem estatutos, sem dinheiro e sem campo de jogo – atraiu para suas fileiras vinte e poucos jogadores que desejavam medir forças com o Portela AC e conseguiu a façanha de arregimentar para seus quadros de direção alguns dos mais expressivos nomes da época, como Bonifácio Portela, Aurélio Barile, Geraldino Fraga, Nagio Ahouage, Rigoletto Cristofaro e Manoel “Manduca” Bernardes Sobrinho, todos muito preocupados com a ausência do esporte em sua localidade e mesmo roídos pela inveja de ver a rápida ascensão do Portela AC.

Dino Fraga possuía defronte da sua Fazenda Cabral, no bairro Alegria, um belo terreno plano cujas dimensões mostravam-se ideais para a implantação de um campo de futebol, e  foi justamente ali que o grupo do Estiva montou seu estádio. Todavia, avesso à doação de terras, Dino condicionou a criação do campo a um  empréstimo sem prazo definido, é verdade, mas que poderia ser desfeito pelos seus herdeiros caso os mesmos assim o desejassem… Assim, por longos anos o Estiva (Estrela) dispôs de seu próprio campo na cidade, até que, com a dissolução do seu futebol no final dos anos sessenta, as terras foram repassadas para a família Fraga que lá  montou um  belo loteamento.

Tendo construído sua modesta sede social à rua Francisco Alves, no centro de Miguel Pereira – e, por amarga ironia do destino, defronte do desativado campo do Miguel Pereira AC, seu tradicional “inimigo” – o Estrela pelo menos conseguiu sobrevier à crise causada pela dissociação do seu futebol, passando a existir tão simplesmente como um clube social.

Numerosos atletas de Paty perfilaram nos times do Estiva, enquanto abnegados jogadores e dirigentes miguelenses marcaram passagem por esse clube: de fato, os Fraga, os Barile, os Corrêa, os Agalhodor, os Rezende, os Moraes, os Bernardes – que abandonariam o Estiva em 1930 para fundar o Miguel Pereira AC – e os Esteves muito deram de si pela agremiação, e entre os futebolistas que ali militaram jamais poderia ser esquecida a contribuição prestada por homens valorosos como Antão, Eurico e Lauro Bernardes, Renato Werneck, Mário Pinheiro, Telêmaco, “Grilo”, “Moleque”, Jair Pureza, Nelson “Cabeção”, Moacir “Penteado”, Luís Agalhodor, Wando, Paulo Cruz, Guilherme Badolati, Sérgio e Haroldo Lameira, Luizinho Corrêa, “Bebé”, Alailson, “Tuíca”, Odir, Lester, Zé Trindade, Almir, Acyr e Altemir Rezende, Djalminha, Zé “Pretinho” e dezenas de outros já levados pelo esquecimento.

Por um longo período, aquela camisa verde- amarelo, com uma estrela à altura do coração, impôs respeito e admiração em Miguel Pereira. Pouco antes de desaparecer, contudo, o Estrela FC conquistou brilhantemente o título de Campeão Municipal ao derrotar o Portela AC por 2×1 numa final memorável realizada no Estádio do Central AC no dia 10 de maio de 1964.

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