Tempo de Recordar – nº 6

O BARÃO DE PATY DO ALFERES

Por Sebastião Deister

Francisco Peixoto de Lacerda Werneck, o 2º Barão de Paty do Alferes, nasceu no dia 6 de fevereiro de 1795 na Fazenda da Piedade de Vera Cruz, a grande propriedade da família Werneck situada nas terras administradas pela Vila de Paty. Era ele filho único de Francisco Peixoto de Lacerda (fazendeiro oriundo do Faial, em Portugal) e de D. Ana Matilde Werneck, a quinta filha de Inácio de Souza Werneck, o renomado Sargento-Mór que comandava a Fazenda da Piedade e que prestava relevantes serviços ao Império.

Ainda jovem, Francisco seguiu para o Rio de Janeiro, onde pretendia estudar Humanidades, mas por razões de saúde logo retornou à Piedade. Em 1823, logo após completar 28 anos, casou-se com D. Maria Isabel de Assunção Ribeiro de Avelar, nascida em 1807 na Fazenda Pau Grande, sendo ela irmã do Barão de Guaribu, do 1º Barão de São Luiz e do Visconde da Paraíba, vindo também a ser sobrinha do Barão de Capivary.

Após receber a Fazenda da Piedade como herança, o Barão incrementou as plantações de café pela Serra, e com a fortuna extraordinária que acumulou acabou se tornando um dos mais ricos e poderosos senhores do vale do Paraíba, adquirindo de imediato as fazendas Monte Alegre, Monte Líbano, Palmeiras, Sant’Anna, Manga Larga e Conceição, além de um imenso e belíssimo casarão no centro de Paty do Alferes, hoje desaparecido. Foi ainda Deputado pela Província do Rio de Janeiro e Comandante da Guarda Nacional de Paty e Vassouras, títulos a ele concedidos por Sua Majestade D. Pedro II, o qual também ampliou seu título para Barão com Honras de Grandeza em 15 de outubro de 1832.

Em finais de 1838, o Barão comandou vários homens de armas no cerco a Manoel Congo, o negro que se rebelara na Fazenda da Maravilha, capturando-o nas proximidades da Serra de Santa Catarina, nos atuais limites com Petrópolis, e levando-o a julgamento em Vassouras, onde foi enforcado em 6 de setembro de 1839.

Estudioso, bastante letrado, assinante de revistas e jornais da Capital e lavrador de grande competência, o Barão chegou a escrever um livro intitulado “Memória sobre a Fundação de uma Fazenda na Província do Rio de Janeiro”, no qual discorre, com muito talento e rara propriedade, a respeito de técnicas de plantio, cultivo e colheita de vários produtos agrícolas, além de tecer comentários preciosos sobre mão-de-obra escrava, pragas da lavoura e cuidados com o solo e com os animais.

A DESCENDÊNCIA DO BARÃO

Francisco Peixoto de Lacerda Werneck e D. Maria Isabel de Assunção Ribeiro de Lacerda Werneck geraram a seguinte prole:

Luiz Peixoto de Lacerda Werneck, casado com sua prima Isabel Augusta das Chagas Werneck.

Ana Carolina Peixoto de Lacerda Werneck, casada com seu primo Francisco das Chagas Werneck.

Mariana Peixoto de Lacerda Werneck, casada com Francisco de Assis Furquim de Almeida.

Manoel Peixoto de Lacerda Werneck, casado com sua prima Evelina de Macedo Werneck.

Carolina Isabel Peixoto de Lacerda Werneck, casada com seu primo José Inácio dos Santos Werneck.

Maria Isabel Peixoto de Lacerda Werneck, casada com Joaquim Teixeira de Castro, o Visconde de Arcozelo.

O Barão morreu na Fazenda Monte Alegre no dia 22 de novembro de 1861, vitimado por uma congestão cerebral.

Uma resposta para “Tempo de Recordar – nº 6

  1. Carlos Rangel

    Boa tarde,
    Aguçou-me a curiosidade pois meu falecido pai sempre contou-me histórias vividas por ele na Fazenda Monte Alegre, pelos idos de 1940 a 1945, creio eu, quando segundo meu pai, rapaz à época, passava férias ou dias, não sei bem e, seria proprietário, um senhor de nome Horácio. Na época ainda não havia as cidade de Paty do Alferes nem de Miguel Pereira, e nas histórias que eu ouvia, apenas se referia meu pai, a cidade de Vassouras e a fazenda Monte Alegre e a alguns empregados – alguns até eu conheci, pude conviver. Este fato procede? Teria realmente sido proprietário da fazenda durante algum tempo esse senhor de nome Horácio?
    Hoje tenho a sorte de possuir uma casa em Miguel Pereira e desfrutar em fins de semana da aprazível região e muito me deixaria feliz, poder confirmar que tenho desfrutado de uma parte, ou elo menos próximo uma parte de um local que meu pai em sua juventude frequentou e que mesmo sem ter conhecido, tanto marcou minha adolescência com suas histórias.
    Agradeço algum esclarecimento sobre o narrado..
    Carlos Rangel

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