Tempo de Recordar – nº 8

Por Sebastião Deister

A FAZENDA DA PIEDADE

A Fazenda de Nossa Senhora da Piedade de Vera Cruz tem suas origens cravadas no longínquo ano de 1770, quando a família de Manoel de Azevedo Matos e de D. Antônia da Ribeira (do Pilar) Werneck ali resolveu estabelecer seus pioneiros trabalhos de colonização das áreas irrigadas pelo rio Santana. Oriundo das terras de Barbacena, o casal – acompanhado dos filhos Ana de Jesus Werneck (1738), Inácio de Souza Werneck (1742) e Manuel de Azevedo Ramos (1745) – ergueu a “Primeira Moradia” da Piedade na margem direita do rio, bem junto à Serra da Viúva, mas com a chegada dos netos a propriedade foi ampliada, constituindo o que se convencionou chamar de “Segunda Moradia”.

Mesmo assim, as dependências da Piedade mostravam-se reduzidas para tantos netos – só Inácio gerou doze – e por essa razão a família passou para a margem esquerda do Santana em 1778, pondo-se ali a construir a grande casa da Piedade ou “Terceira Moradia”, o berço da estirpe Werneck que rapidamente se espalhou por todo o vale do Paraíba do Sul.

Na verdade, graças aos trabalhos de Inácio de Souza Werneck a fazenda pouco diversificou suas atividades agrícolas, dedicando ao café – que já ganhava expressivos preços internacionais – o foco maior de suas atenções. Por conseguinte, a Piedade tornou-se o centro administrativo de outras propriedades adquiridas pela família – como Monte Líbano, Monte Alegre, Sant’Anna e Palmeiras – e a partir de seus lucros os Werneck lograram amealhar uma das maiores fortunas da Serra no período compreendido entre os anos de 1800 e 1850.

Além da Piedade, Manoel de Azevedo Matos também comprara as terras formadoras da Sesmaria do Sacco Velho, no topo da Serra do Couto, e após sua morte em 1788 a filha Ana de Jesus recebeu as glebas infletidas para as áreas de Monsores e Cilândia, enquanto o filho caçula Manoel de Azevedo Ramos passava a administrar as atuais terras formadoras de Javary. Por seu turno, Inácio – já então Sargento-Mór das Milícias do Império e herdeiro maior da família – detinha em suas mãos o controle total da Piedade quanto pelas demais fazendas periféricas a Vera Cruz.

Inácio morreu na Piedade no dia 02 de julho de 1822, repassando a Piedade para sua filha Ana Matilde Werneck, mãe de Francisco Peixoto de Lacerda Werneck, o futuro Barão de Paty. Por sua vez, o Barão tornou-se dono dessa e de outras propriedades agrícolas serranas logo depois da morte da mãe, fazendo com que a Piedade atingisse um notável grau de prosperidade.

No entanto, com o passar dos anos diversos fatores negativos levaram a Piedade a uma séria decadência: o progressivo esgotamento do solo,  a redução dos preços internacionais do café, as pragas das lavoura, a falta de mão-de-obra barata e, em especial, a Abolição da Escravatura, que retirou da fazenda os únicos homens capazes de fazê-la produzir: os negros.

Com as mortes do Barão (1861) e da Baronesa (1866), o Visconde de Arcozelo assumiu a Piedade, mas no início do século XX a família Werneck repassou-a para os donos da Pau Grande. Daí em diante, a bela, histórica e pioneira casa grande de Vera Cruz passou para as mãos de várias famílias, tais como as de Paulo Florentino Lebre, de Madame Charlotte Dublineau e de Celso Davis, sendo hoje propriedade do Embaixador José Aparecido de Oliveira.

Uma resposta para “Tempo de Recordar – nº 8

  1. JAIR COSTA

    Seria interessante adicionar um mapa com a localização do bairro com relação ao centro de M.P.e em relação às principais vias de circulação. Atenciosamente,
    Jair Luiz

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s